OFICINA DE PRODUÇÃO DE EVENTOS: A ARTE DE ANTECIPAR E SOLUCIONAR PROBLEMAS

Reportagem de Marcelo Passos/Comunicação Somos Comunidade



Entre as atividades mais concorridas da edição 2021 do Projeto Somos Comunidade, a Oficina de Produção de Eventos contou com 12 participantes do Morro das Pedras e bairros próximos. Fora a idade mínima de 18 anos, não havia nenhum outro pré-requisito específico para a participação. Bastavam a curiosidade e o interesse em acompanhar as atividades virtuais enriquecidas pela experiência da dupla de coordenação da oficina e dos muitos convidados que abordaram diversos aspectos práticos da produção cultural.


A Oficina ficou a cargo das produtoras Bruna Pardini e Nath Sol, ambas participando pela primeira vez do Somos Comunidade. Bruna já vem de uma experiência de quase 20 anos em alguns dos mais importantes eventos culturais, corporativos e de entretenimento na capital, como a Virada Cultural, festivais como o FIT e FAN e o Carnaval-BH. Nath atua na área de produção desde 2014 e também já participou de grandes eventos nas áreas cultural, de mobilização social e ações afirmativas, como a Virada Cultural, os festivais FAN e de literatura FLI-BH e projetos com LGBTQIA+ e profissionais do sexo.


O maior desafio da dupla, no Somos Comunidade, foi encarar e superar as limitações impostas pela pandemia. Todo o conhecimento prático adquirido em anos de estrada teria que ser formulado e sistematizado em videoaulas, encontros virtuais ao vivo e troca de arquivos com os participantes. A preparação começou em março e se estendeu até maio. Os alunos precisavam ter o acesso à Internet para acompanhar as atividades em sessões de 2 horas de duração a cada dia. Durante 4 semanas, entre maio e junho, os alunos tiveram um total de cerca de 80 horas de atividades.


O objetivo da oficina era treinar as principais habilidades da produção, ou seja, a antecipação e a solução de desafios. Para isso, aprenderam sobre o planejamento de eventos, produção artística, logística, produção técnica, cenografia, elaboração de projetos, prestação de contas e planilhas, atribuições de papéis e erros de execução, entre outros pontos. A participação dos alunos foi concluída com a visita às gravações audiovisuais dos grupos artísticos do Morro das Pedras, no Palácio das Artes. Orientados pela coordenadora Bruna Pardini, eles tiveram contato com todos os detalhes da produção técnica e artística e o diálogo entre as duas áreas para a execução dos espetáculos de palco.


Capacitação e fomento à cultura local


Para a produtora Nath Sol, a experiência da oficina permitiu que os participantes tivessem acesso a uma linguagem mais técnica e profissional desconhecida por eles. A capacitação qualificada não só abriu aos alunos a perspectiva real do exercício profissional como também lançou pontes para novos relacionamentos e trocas tão importantes ao trabalho de produção. “Achei muito legal a experiência porque o meu objetivo era trabalhar com lugares de diversidade social como é o Morro das Pedras. Cresci muito com a troca que a comunidade foi capaz de nos oferecer, já que há muito tempo o Morro das Pedras vem se auto-gerindo em suas próprias produções”, enfatizou a produtora.


Nath entende que, a partir da capacitação, há um fomento à cultura dentro da comunidade. “As pessoas se valorizam mais e passam a enxergar o Morro das Pedras para além do estereótipo de violência, marginalidade e servidão com que a comunidade é vista. Ampliam-se os horizontes”, complementa.


A coordenadora Bruna Pardini destaca que um dos objetivos da oficina foi contribuir para a criação de uma rede de pessoas da própria comunidade capacitadas a assumirem no futuro posições de destaque no trabalho de produção do Somos Comunidade. Ela avalia que 80% das pessoas que freqüentaram a oficina se enxergaram assim no futuro e que as atividades que eles cumpriram contribuíram para ampliar o olhar não só para a produção, mas, para a própria vida.


Bruna considera que o objetivo de dar visibilidade à comunidade foi o que mais chamou sua atenção e a encantou com o projeto. “Poder plantar esta semente, em plena pandemia, e ao mesmo tempo poder colher os frutos, percebendo como as pessoas foram se encantando com o projeto foi o mais legal de toda essa experiência”.


Um dos integrantes mais ativos da oficina, morador do Morro das Pedras, é o conhecido Fred, do Mix Lanches BH. Popular em toda comunidade, o empreendedor aproveitou a chance para se aprimorar ainda mais. “Quero ver a coisa acontecer e que as pessoas possam enxergar uma luz no fim do túnel, neste momento tão difícil da pandemia. Essas atividades movimentam a vida, abrem oportunidades e, consequentemente, melhoram a imagem do Morro”.

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