IMAGENS DE OFICINA DE FOTOGRAFIA TRANSFORMAM PAISAGENS DO MDP

Reportagem de Marcelo Passos/Comunicação Somos Comunidade

O fotógrafo Édi da Silva nasceu e foi criado no Morro das Pedras. Herdou do pai a paixão pela fotografia. E antes de assumi-la como atividade profissional, estudou desenho e artes plásticas e trabalhou como instrutor de cursos e oficinas em escolas da capital. Édi mantém forte vínculo com a comunidade, onde atua como fotógrafo e curador da Galeria de Arte da Associação Artística e Cultural História em Construção. O conhecimento da arte fotográfica praticado, sobretudo, no registro de nuances da beleza e diversidade do Morro das Pedras, motivou o fotógrafo a assumir a coordenação da Oficina de Fotografia do Projeto Somos Comunidade.


Vinte alunos se inscreveram na oficina, cujas atividades transcorreram ao longo dos meses de maio e junho, através de videoaulas semanais pelo WhatsApp e de exercícios práticos diários com a utilização, principalmente, de celulares. O objetivo principal era ampliar o campo de visão dos alunos, descomplicando a fotografia independente do meio tecnológico utilizado. Assim, o desafio proposto foi fotografar, com seus próprios meios, a paisagem urbana do Morro das Pedras e seus personagens cotidianos.


Para isso, Édi forneceu o conteúdo básico dos parâmetros fotográficos: falou um pouco da história e evolução da fotografia, tratou da fotometria, composição de imagens, configurações, manuseio e manutenção dos equipamentos/celular e como extrair o máximo da paisagem e do retrato. O resultado foi o forte engajamento dos alunos, que saíram às ruas fotografando os becos, escadarias, casario, plantas e flores, quintais, trabalhadores, crianças, jovens, animais, comércio, ruas, enfim, a grande diversidade do ambiente urbano da comunidade.


As fotos serviram para um trabalho de composição e colagem com os grafites produzidos na Oficina de Grafite. O material foi impresso em grandes painéis e está agora espalhado pelo Morro das Pedras para a apreciação da comunidade e servindo também de fonte de ilustração para as gravações audiovisuais do projeto Somos Comunidade.


O poder da inclusão




Um dos painéis é de Gisele de Oliveira Moreira, 29 anos, arte-educadora no Instituto Mano Down, organização sem fins lucrativos que promove a inclusão e a autonomia de pessoas com síndrome de Down e outras deficiências intelectuais. Ao saber das oficinas do Projeto Somos Comunidade, matriculou-se logo em duas: fotografia e grafite. Dentro do Morro das Pedras, onde nasceu e foi criada, já havia tomado contato com as artes visuais e, assim, desenvolveu, desde cedo, seu interesse pelo universo das imagens.


Com a Oficina de Fotografia, Gisele aprendeu uma nova maneira de enxergar os elementos da imagem com uma visão mais clara sobre o poder que ela pode exercer na percepção do mundo. Um exemplo disso está em uma de suas fotografias das escadarias de um beco no Morro das Pedras.


Após a oficina, a foto foi instalada, em tamanho grande, no final de um beco sem saída dando a ideia de profundidade com a ilusão de que a passagem continua. Já na Oficina de Grafite, Gisele exercitou a criação de personagens, entendendo a técnica do grafite não como mera pintura, mas um trabalho marcado por sua efemeridade e função social.


As duas oficinas serviram para Gisele aplicar os novos conhecimentos nas aulas junto aos seus alunos no Instituto Mano Down. “Foi muito legal todo o resultado obtido. Os alunos do Instituto se interessaram pela fotografia e o grafite e agora querem visitar o Morro das Pedras para ver de perto os trabalhos realizados. Talvez, depois da pandemia, isso seja possível”, afirmou.


Édi da Silva considera que o resultado da oficina foi positivo especialmente porque, além da estrutura e dos materiais oferecidos, os alunos tiveram acesso ao aprendizado e conhecimento e, assim, contribuíram para deixar um legado visual importante para o Morro das Pedras.


O fotógrafo destaca ainda os benefícios das ações do projeto Somos Comunidade: “quando a gente faz essa intervenção, está propondo a democratização dos espaços da comunidade, mostrando para os próprios moradores uma outra ideia de integração, que contribui para a pacificação dos conflitos e das dificuldades de convivência muitas vezes enfrentados pelas pessoas em seu cotidiano”.

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